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O Mercado da Moda



Revista "Meu Próprio Negócio"por Sandra de Cássia.
 
 
Fotos Aniello de Vita e Paulo Batelli.
Produção Sheila Rodrigues.
Mapa do Brasil equipe Sigbol Fashion
Mais de 70% das confecções brasileiras são de pequeno porte, mas para ter sucesso é preciso saber administrar e ter criatividade
Já foi o tempo em que para ter uma confecção bastava comprar uma máquina de costura e começar a produzir, sem se preocupar com a qualidade. Assim funcionava com as chamadas empresas de fundo de quintal, que ainda existem, mas aos poucos estão dando lugar a negócios mais estruturados. Em outras palavras, o mercado da moda mudou e para melhor.
Hoje, para garantir um lugar ao sol é preciso estar bem informado, ter boa formação profissional, participar de feiras e, principalmente, ser criativo. Depois da crise de 1990, quando o Brasil abriu o mercado para produtos importados e várias empresas nacionais quebraram, a tendência passou a ser a modernização de confecções e indústrias de tecidos, com a compra de máquinas e equipamentos de alta tecnologia.
Aos poucos, as empresas foram recuperando o fôlego. Em 2003, o setor de moda faturou R$65,5 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de confecção (Abit), que reúne dados sobre o desempenho de mais de 30 mil empresas, entre fiações, tecidos, tecelagens, malharias, tinturarias e confecções.
As vendas para o exterior também superaram as expectativas, com um resultado de R$4,5 bilhões e superávit comercial de R$1,5 bilhão - o maior em 11 anos.
Para o setor que reúne vestuário, meias e acessórios, no entanto, o resultado foi negativo, com retração de 10% do faturamento, segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest). Motivo: a diminuição do poder aquisitivo do consumidor provocou queda da produção, dos investimentos e, conseqüentemente, do faturamento.
*Fonte: IEMI
Mesmo assim, o mercado não deixou de ser atrativo para confecções e lojas. De acordo com a Abravest, o faturamento. Mesmo assim, o mercado não deixou de ser atrativo para confecções e lojas. De acordo com a Abravest, o faturamento total do setor foi de R$34,5 bilhões em 2003. Só em exportações foram R$823 milhões que encontraram no Brasil direto para as empresas. Para 2004, o presidente da Abravest, Roberto Chadad, prevê tempos ainda melhores. "A abertura do mercado aos importados, ao contrário do que se temia, acabou sendo útil. O setor de moda no Brasil se reposicionou para competir com os concorrentes internacionais", afirma Chadad.
Alguns fatores pesam a favor das confecções brasileiras: a moda do país é criativa, tem apelo no exterior e hoje está mais fácil comprar equipamentos. Empresas da área pagam 3,5% de imposto sobre produtos industrializados (IPI) para a compra de máquinas e insumos importados antes o valor era de 5%.
A necessidade de profissionalização fez com que houvesse um boom de cursos na área de moda. Atualmente, existem 35 faculdades especializadas no Brasil, além de cursos técnicos e livres, que formam os profissionais do setor. Os especialistas são unânimes: não há mais espaço para amadores.
Até 1987, não existia curso superior específico e quem trabalhava na área era autodidata ou estudava fora do país. Na esteira das mudanças, surgiram os grandes eventos do setor, como a São Paulo Fashion Week e a Fashion Rio, que ganharam fama internacional e revelaram modelos, estilistas e empresários da moda.
*Fonte:Instituto de Estudos de Marketing Industrial (IEMI)
 
A Força Dos Pequenos

A empresária Débora Suconic, de 39 anos, é um exemplo de que a criatividade faz a diferença. Depois de trabalhar alguns anos com o comércio de roupas, ela decidiu investir num negócio próprio, em novembro de 2002. Com R$40 mil e uma boa idéia, inaugurou na zona Oeste de São Paulo a banca de camisetas, uma espécie de banca de revistas que, na verdade, vende camisetas.
A pequena loja acabou virando mania. Seu diferencial é uma estrutura metálica como as das bancas de revistas, além das camisetas que levam frases, desenhos e estampas produzidos por estilistas e artistas.
Débora, da Banca de Camisetas: loja desperta a curiosidade do cliente
Em apenas um mês de funcionamento, Débora já colhia os frutos do negócios, com um faturamento de R$3 mil. Hoje ela emprega 17 funcionários, já abriu outra loja em um shopping e prevê a abertura da terceira em fevereiro, no centro de São Paulo. Os dois estabelecimentos que estão funcionando faturam juntos R$50 mil e geram um lucro líquido de R$30 mil. "As pessoas gostam de entrar na banca e encontrar camisetas com estampas diferentes. Numa loja convencional, o cliente fica perdido em meio a tantos produtos", afirma a empresária.
Os preços das camisetas variam entre R$15 e R$45. "Meus funcionários são parceiros, gostam do que fazem e tem sensibilidade para ajudar o cliente a escolher uma camiseta", afirma Débora. "Um negócio é como um filho. O empresário tem que ter dedicação total, trabalhar tempo integral e entender um pouco de tudo para dar certo".

Definição Dos Clientes

O primeiro passo para quem pretende trabalhar no mercado da moda é definir o que fazer. "A pessoa precisa decidir em qual segmento deseja atuar, qual será o público - alvo, qual o tipo de produto a ser fabricado e se vai desenvolver uma marca própria ou produzir para grandes redes. Com base nessas informações, ela saberá quando investir" ,ensina o consultor da área têxtil Mauro Pereira. No geral, o investimento financeiro numa confecção pode variar entre R$1,2 mil e R$300 mil, dependendo do porte da empresa e do grau de terceirização das atividades. Para quem começa, uma das alternativas na hora de reduzir custos e terceirizar a mão-de-obra.
O foco no público-alvo e uma localização estratégica foram os fatores mais importantes para que a confecção Melinde, especializada em tamanhos grandes, prosperasse em São Paulo. Os microempresários Marli e José Henrique Licciardi descobriram o filão por acaso: acostumados a vender malhas em feiras especializadas em supermercados, descobriram que seu público era formado principalmente por senhoras que usavam tamanhos acima da média. Para baratear os custos, resolveram fabricar as próprias peças e Marli voltou para a sala de aula. "Fiz um curso de modelagem e agora escolho os tecidos e crio as peças", conta.As roupas são feitas por oficinas de costura terceirizadas.
Mauro Pereira da Sigbol Fashion, diz que o empresário precisa estar bem informado
A microempresária não tem do que reclamar. Para ela, ainda há um bom mercado para lojas de tamanhos grandes. Marli fez exatamente o que os especialistas aconselham : focar o público - alvo e se especializar em um nicho específico. O consultor Mauro Pereira afirma que quem trabalha no setor de moda deve estar sempre pesquisando novos mercados. "O empresário precisa ser um observador do cotidiano, ver o que o consumidor compra, ir as feiras especializadas, assistir a desfiles e usar a internet para ter novas idéias", ensina.
Afinidade com o ramo também é fundamental e essa qualidade não falta para a estilista Fabíola Mazzei Céllia, de 34 anos. Proprietária da loja Pintando o Sete, em São Paulo, ela começou a se interessar por moda por influência da mãe, que costurava roupas de festa.
Depois de trabalhar com moda jovem e biquínis, Fabíola optou pela moda infantil ."Acho que a especialização é o melhor caminho para quem está começando" , aconselha a empresária. "Não adianta querer fazer tudo, sem qualidade. É melhor começar fabricando um tipo de roupa e só depois diversificar a produção."
Ex-aluna da escola de moda Sigbol Fashion, Fabíola acredita que freqüentar cursos é muito importante , principalmente para quem não tem familiaridade com o segmento. Ganhar clientes é a primeira dificuldade que o proprietário de uma confecção enfrenta. "No começo as pessoas precisam ir até os lojistas para mostrar produtos e adquirir credibilidade. Mesmo quando fecharem as portas, não podem desanimar", aconselha. 

Fonte: Sigbol

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